Bahia é uma das principais reservas de sítio arqueológico no Brasil

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Está localizada na Bahia, a maior quantidade de sítios arqueológicos do país. No registro são 493 sítios em municípios baianos, grande parte deles encontrados na região da Chapada Diamantina. No Brasil esse número chega a 13.021 sítios registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), através do Catálogo Nacional de Sítio Arqueológico. Entende-se por sítios arqueológicos, áreas com indicações de registros artísticos e culturais antigos que “nos leva a entender que naquele lugar tenha havido algum tipo de habitação”, garante o técnico responsável pela área arqueológica do IPHAN, Alexandre Calpas. Ele afirma que na Bahia, por exemplo, em grande parte dos sítios são encontradas pinturas rupestres e, nessa categoria, predomina representações naturalísticas como plantas (maior intensidade de palmeira); animais (emas e capivaras); figuras humanas e elementos geométricos. Além das pinturas, vestígios de materiais culturais como cerâmica e pedra foram encontrados a partir de escavações e perfurações do solo.

PESQUISAS – Os municípios baianos que possuem maiores pesquisas são as Regiões de Porto Seguro e da Chapada Diamantina, neste último através dos municípios de Morro do Chapéu, Seabra, Iraquara e Lençóis. A 470km de Salvador, Iraquara abriga o Parque Nacional da Chapada Diamantina, parque este considerado Área de Proteção Ambiental (APA). São 152 mil hectares e seus principais atrativos de turismo são os passeios pelos chapadões, cavernas, corredeiras e grutas. As pinturas rupestres encontradas por lá, datam de 18 a 30 mil anos.

De acordo com o superintendente do IPHAN na Bahia, Leonardo Falangola, está em fase de estudo e análise a construção de um Parque Arqueológico na Chapada. Falangola afirma que será construído um corredor que cortará o parque passando por 12 municípios. O objetivo do parque é atrair um turismo cultural específico para sítios arqueológicos tornando a Bahia uma das rotas desse tipo e turismo.

ENCONTRO – Em maio de 2008 aconteceu no município de Lençóis o Encontro de Cidades Históricas, evento promovido pela Secretaria de Cultura em pareceria com o IPHAN. Nesta reunião foram levantadas questões como políticas públicas de conscientização e preservação dos sítios arqueológicos, além de ter sido dado início ao projeto do parque arqueológico da Chapada. Apenas 11 prefeitos compareceram ao evento.

Falangola afirma que cada município possui uma grande importância para a realização do parque. “Nós estamos formatando o projeto através do Governo Federal junto ao Estadual e entendemos que o apoio do município é fundamental para a realização deste projeto. É necessário que os prefeitos das cidades que possuem reservas de sítios arqueológicos entrem em contato com a Secretaria de Cultura ou mesmo o IPHAN para esclarecimento do que está sendo realizado para que sua cidade seja incluída”, garante o superintendente. Um outro parceiro do projeto é a Universidade Federal da Bahia.

Um novo sítio arqueológico passa a fazer parte da cultura e história de São Desidério e do oeste da Bahia. Trata-se do Sítio Arqueológico Senhorinha da Cruz, identificado por pesquisadores da Griphus Consultoria em Arqueologia, de Goiânia (GO). De acordo com os estudos realizados revelam que naquela região já houve três tipos de ocupações. A primeira existiu há cerca de 2.000 a 5000 anos, formada por um grupo de caçadores/coletores. O segundo grupo que povoou o sítio foi de horticultores e ceramistas. Finalmente, a terceira geração de moradores foi a do período pós-colonial, já no século XIX. Os cientistas coletaram vidros de remédios, ossos de animais usados na alimentação, utensílios e potes de barro da época.

GRAFITE – A arte na parede é conhecida desde o período paleolítico (cerca de dois milhões de anos atrás) e acredita-se que as pinturas possuíam um cunho ritualístico. Os materiais utilizados para seu registro são produzidos com tinta confeccionada com produto de origem animal feito de sangue e excremento humano misturado com argila e folhas das árvores, e as cores predominantes eram branca, preta, amarela e vermelha.

Atualmente, acadêmicos do âmbito das artes visuais acreditam que a arte do grafite (técnica de pintura em muros públicos), difundida principalmente após a revolução cultural na França em 1968, pode ter relação com as pinturas rupestres. O artista plástico Denis Sena acredita que “uma das primeiras formas de comunicação é sem duvida o grafite rupestre e a prova disso são as pinturas produzidas nas cavernas pelos nossos ancestrais, no período paleolítico. A arte da pintura rupestre é genuína, espontânea e não efêmera, a comparar pelas intervenções urbanas contemporâneas, quando se fala na efemeridade. Surgiu pela necessidade da expressão e comunicação, representando códigos, etnias, divisão de territórios, a sexualidade e a caça que representa o alimento físico e espiritual”. O artista realizou em junho de 2008 a exposição Presente do Passado, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), juntamente com o também artista Naum Bandeira. Os dois apresentaram no sub-solo do museu durante o período de 30 dias, a relação entre as duas técnicas artísticas, fundindo a estética rupestre com as novas linguagens artísticas contemporâneas.

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